domingo, 24 de abril de 2011

Matrix

A cada dia, a cada hora, a cada minuto que passa me sinto cada vez mais dentro da Matrix. Sinto estar seguindo o Coelho Branco, prestes a tomar a pílula vermelha. Mas eis a questão: é possível ser feliz conhecendo a própria insignificância perante o Universo, longe de bugigangas do dia-a-dia que a mídia nos empurra goela abaixo que temos que comprar?

Sabemos que há algo lá fora. Não sabemos o quê. Simplesmente podemos sentir que tem uma coisa estranha no mundo. Não falo do Aquecimento Global ou da criminalidade aumentando cada vez mais, a violência faz parte da natureza do ser humano. Falo de outra coisa. Quando olhamos os livros de biologia e de história, quando olhamos pela janela do quarto. Quando vemos algo todo dia isso acaba se tornando tão banal que não prestamos atenção.

Há uma caverna e há as sombras do mundo exterior dentro dela. Mas eu te pergunto... e daí? Fique onde está. Ignorância é a mais absoluta forma de felicidade. Não falo para ofender, mas fique com a pílula azul, no fim todos vamos morrer, mais dia ou menos dia, isso é inevitável. Torne os momentos antecedentes à morte suportáveis, beba, drinque, engula sua hipocrisia. Ser feliz é o que importa.

Nada pior que reconhecer que você não passa de um nada, que o mundo não passa de porra nenhuma, que, como já diria o Dr. Manhattan, a Terra poderia acabar agora que o Universo não sentiria falta.

Um conselho? Não pense. Apenas encha sua vida com porcarias inúteis e fúteis para que, quando for apenas um moribundo, possa dizer: "pelo menos eu curti".

Mas nada pior que uma noite de insônia, quando você observa o teto do seu quarto e começa a pensar. E pensa. E pensa. E pensa. E pensa. Maldito seja o pensar. De repente você tem noção de que tudo não passa de distração enquanto espera-se a morte. Você percebe que os dogmas da Igreja são mentirosos, que Deus não existe, que certo e errado são altamente relativos. E pensa mais. E pensa mais e mais e mais.

E pensando percebe que não há "sentido da vida", que somos obra do mero acaso, que simplesmente evoluímos até aqui. Eis o magnífico Homo Sapiens!

E você continua pensando. E pensando descobre que a vida não se resume em ter o nome de um cara no elástico da tua cueca. Que a sociedade nos fabrica como a merda ambulante prestes a consumir e consumir e consumir e consumir e consumir. Foda-se Max Steel, foda-se Calvin Klein!

Faça um favor a si mesmo e engula a maldita pílula azul. Não adianta chorar pelo leite derramado, muito menos acreditar em Papai Noel apenas para ganhar presente de Natal no fim do ano.

Enquanto isso, continuo pensando e pensando e pensando e escrevendo e escrevendo e escrevendo...

"Empanturro-me de todas as drogas da solidão; as do mundo foram fracas demais para me fazer esquecê-lo." - Cioran

4 comentários:

Anônimo disse...

Tyler Durden aprova seu texto.

Anton Alegrin o Ant-Pierrot. disse...

cara gostei do seu texto... mas não gostei do rumo que ele tomou... mesm se vc tomar a pilula azul algo dentro de vc vai estar sempre te encomodando e pra fugir dessa incomodação vc vai se afundar cada vez mais na merda...isso é inevitavel...viver é foda e não escapatoria...ou é lutar da sua forma...da forma que poder ou se render e mesmo assim sofrer.... eu prefiro penar de cabeça levantada mesmo que panhe do mundo como tenho apanhado.


estou te seguindo se quiser passar no meu blog: http://inversopoemas.blogspot.com/

Karla Hack dos Santos disse...

Adorei o comentário do anônimo!! e Acrescente que o Renton - Trainspotting - também aprova seu texto!

As vezes uma boa dose de realidade é só o que nos falta para a liberdade!

;S

Macaco Pipi disse...

estamos em algo mais assombroso que isso, eu caro!